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Nascida com a proposta de combater a concentração no mercado financeiro, a XP segue em sua estratégia de consolidar o mercado. Poucos dias após adquirir uma participação minoritária no grupo Suno, a corretora de investimentos anunciou nesta sexta-feira a compra de 100% do Banco Modal.

A transação, que pegou o mercado de surpresa, será paga com até 19,5 milhões de novas ações Classe A ou BDRs da XP, um prêmio de 35% sobre o preço médio dos últimos 30 dias do Banco Modal na bolsa. As partes vão conduzir a transação através de uma reorganização societária que resultará na incorporação, por uma subsidiária da XP, de até 100% do capital social do Modal.

Considerando o valor de fechamento do BDR da XP de ontem, que foi de R$ 153,98, a transação avalia o Banco Modal em R$ 3 bilhões. O valor é 50% maior que os R$ 2 bilhões que a totalidade das ações do banco valia ontem na B3.

Caso o banco não obtenha a aprovação de seus acionistas minoritários, a XP irá incorporar uma participação equivalente a 55,7% do capital social do Modal detido pelos seus acionistas controladores em uma transação de ações. Em comunicado, a XP diz ainda que garantirá a todos os acionistas minoritários do Banco Modal o direito de vender sua participação nas mesmas condições. Entre os acionistas está o banco Credit Suisse, que tem uma fatia de 15,8% do banco brasileiro e foi um dos apoiadores de seu IPO ano passado.

O Modal vinha crescendo como um 3º competidor no mercado de investimentos, se colocando como uma alternativa na briga entre XP e BTG. Ele inclusive pegou cartilha dos dois a estratégia de comprar escritórios de agentes autônomos para ampliar a carteira de clientes atendidos. Outro movimento estava sendo a criação de uma oferta banco como serviço com a compra da Live On.

Disrupção da indústria financeira

Apesar de representarem uma pequena (mas crescente) fatia do mercado em que atuam, a XP e o Banco Modal prometem acelerar o processo de disrupção que vem acontecendo na indústria financeira no Brasil.

Como referência, em setembro de 2021, ambas as empresas tinham 3,8 milhões de clientes ativos, enquanto os cinco maiores bancos brasileiros somavam 457 milhões de clientes totais com relações bancárias e 175 milhões de clientes com operações de crédito. Considerando a receita líquida, nos últimos 12 meses até setembro, a XP e o Banco Modal somaram R$ 11,8 bilhões contra R$ 427 bilhões gerados pelos cinco bancos.

No 3º trimestre de 2021 a XP atingiu R$ 789 bilhões em ativos sob custódia, uma alta de 40% na comparação com o mesmo período de 2020, quando chegaram estavam em R$ 563 bilhões. Já o Modal totalizou R$ 30,4 bilhões, um salto de 116,8% em 1 ano.

Segundo o diretor financeiro da XP, Bruno Constantino, o ecossistema da corretora tem demonstrado sua capacidade de vendas cruzadas. “Dada a sobreposição imaterial entre clientes da XP e do Banco Modal, esperamos que sinergias de receitas e melhorias na experiência do cliente sejam capturadas”, disse o executivo, em comunicado. Bruno adiciona que a empresa espera continuar beneficiando seus clientes através da redução de preços, como fez recentemente com taxas de corretagem online.

Já o presidente do Banco Modal, Cristiano Ayres, afirma estar confiante na complementaridade dos modelos de negócios e nas oportunidades de crescimento e rentabilidade que as empresas alcançarão no longo prazo. “Tudo o que imaginamos para o Modal agora se tornará maior e se moverá ainda mais rápido com a XP”, comenta.

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