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A norte-americana Y Combinator reduziu em 40% o número de startups em seu programa de aceleração. A edição atual (o Summer Batch 2022) conta com cerca de 250 empresas, ante as 414 aceleradas no ciclo anterior. As companhias recebem apoio financeiro e capacitação para desenvolverem seus negócios, além de participarem do famoso Demo Day, que serve de vitrine para aceleradas apresentarem seus negócios a investidores e potenciais clientes

“O batch S22 é significativamente menor do que nossos lotes mais recentes. Isso foi intencional”, afirma Lindsey Amos, diretora de comunicações da YC, em comunicado publicado no site TechCrunch. Segundo a executiva, a decisão ocorreu pela desaceleração econômica e mudanças no venture capital, que vive um cenário de desalento e aversão a risco dos investidores.

A notícia dos cortes chama atenção por alguns motivos. Primeiro, é claro, estamos falando de Y Combinator, um dos oráculos do mercado de startups no Vale do Silício e referência para os entusiastas do ecossistema no Brasil. Mas também porque segundo investidores e especialistas do setor, os maiores impactados pela crise seriam startups de maior porte, e não empresas pré-seed e seed – que é o grande foco da YC.

Só no Brasil, as captações de startups em estágios seed e early stage tiveram alta de 21,5% no 1º semestre, para US$ 1,68 bilhão, segundo balanço do Distrito. O levantamento mostra uma alta de 86% entre startups que captaram investimento anjo, pré-seed e seed, passando de US$ 151 milhões entre janeiro e junho de 2021 para US$ 282 milhões no mesmo período de 2022. Talvez seja a hora de empresas em estágio inicial também acenderem a luz amarela.

“Estamos constantemente avaliando todos os aspectos de nossos lotes e o ambiente em que as empresas estarão operando e, como resultado, o tamanho do lote sempre variou de estação para estação e de ano para ano”, disse Lindsey.

A YC já está com inscrições abertas para o próximo ciclo de aceleradas, o Winter 2023, que acontece no inverno norte-americano. Não se sabe ainda se a edição seguirá com o tamanho reduzido. Segundo a executiva, a YC vai avaliar “todos os aspectos do ciclo e ambiente em que as empresas estarão operando para determinar o tamanho do lote”.

Como anda a Y Combinator

No início do ano, as projeções da aceleradora (e do ecossistema como um todo) eram bem mais otimistas. Tanto que em janeiro a YC anunciou que injetaria mais capital em suas startups com um novo cheque padrão de US$ 500 mil. Isso significa que ela engordou o cheque em US$ 375 mil, indo além dos tradicionais US$ 125 mil por 7% de participação – que continuam a fazer parte da negociação.

Em maio, o cenário já era outro. A Y Combinator enviou uma carta aos fundadores das startups no seu portfólio alertando sobre as movimentações do mercado e dando dicas sobre o que fazer para (tentar) contornar a situação. “O movimento seguro é se planejar para o pior”, dizia o documento. “Ninguém pode prever o quão ruim a economia pode ficar, mas as coisas não estão boas.”

Apesar da tensão macroeconômica, a Y Combinator ainda decidiu investir na brasileira Zippi. A fintech levantou uma série A de US$ 16 milhões em junho. O aporte foi liderado pela Tiger Global, com participação da YC, fundos de investimento e investidores-anjo.

Brasil entre as aceleradas

A YC promoveu o seu 34º Demo Day em março, com a participação de fundadores de startups de 43 países e dos mais variados setores. Das 259 empresas, 6 eram latino-americanas, sendo uma argentina (a fintech Rebill) e 5 brasileiras, todas de São Paulo.

Representando terras tupiniquins estavam a Pantore, plataforma de compras coletivas para restaurantes; Vobi, ferramenta de gestão de projetos para pequenas e médias empresas de arquitetura e construção civil; e BotCity, startup de programação e robótica para times de tecnologia criarem automações personalizadas. Também participaram a Lexter.ai, que visa reduzir a burocracia nos setores jurídicos de companhias; e Compra Rápida, fintech que oferece um sistema que preenche automaticamente os dados do check out das compras.

Em agosto de 2021, das 377 startups, 12 eram brasileiras. Essa foi a maior turma de startups do país desde a criação do evento, em 2005. Estiveram presentes a fintech Pluggy, a startup de programação Abstra, a operadora virtual de telefonia móvel Fluke e a traveltech Portão 3, que faz a gestão de viagens corporativas. A programação contava também com a Datlo, plataforma de geomarketing e inteligência geográfica na nuvem; Ahazou, de serviços de marketing de conteúdo para microempreendedores de beleza; Comadre, com uma conta digital pensada para famílias; e CartX, plataforma para criação de sites e lojas virtuais. Fecham a lista a Plug, de pagamentos; Zazos; que permite criar softwares de gestão de pessoas; Verde, de crédito rural; e Jestor; um software de gestão para PMEs.

Na página Startup Directory, que mostra as empresas do portfolio da YC, 47 brasileiras aparecem listadas como “ativas”. Entre elas, a Conta Simples, Kovi, Zippi, Belvo e algumas das aceleradas no último batch.

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