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Ver uma ação chegar à bolsa com a ação valendo valorizar quase US$ 400 e com expectativa de se valorizar ainda mais é algo que salta aos olhos. Mas imagina se você tivesse investido nessa mesma empresa quando a ação valia menos de US$ 1? Ou mesmo US$ 23? Pois é, bastante gente conseguiu isso.

No Crunchbase, a Coinbase aparece com 58 investidores. Na lista estão, além de Initialized e a Y Combinator, Greylock, Andreessen Horowitz, Thirty Five Venturesdo jogador de basquete Kevin Durant – e o Valor Capital. Com o IPO, aliás, o fundo americano que investe no Brasil registrou a 2ª listagem de uma investida na Nasdaq – a primeiro foi o da Stone.

O tamanho do cheque feito na série C da Coinbase, em 2015, não é público. Mas um post que rolou no Twitter dá uma pista do retorno que a gestora criada pelo ex-embaixador dos EUA no Brasil, Cliff Sobel, pode ter sido. Na rodada, o valor da ação da Coinbase teria saído a US$ 1, segundo Rolfe Winkler, do Wall Street Journal. Na quarta-feira o papel estreou cotado a US$ 381, chegou a valer US$ 421 e terminou o dia em US$ 328. Hoje, caiu mais um pouco para US$ 322.

Mas quem teve o melhor retorno de todos foi o fundo Iniatilized Capital, de Garry Tan. Primeiro cheque da startup, o fundo colocou US$ 300 mil em maio 2012 depois que seu fundador, Brian Armstrong, mandou 0,05 bictoin para o Tan seguido de um e-mail pedindo dicas para encontrar um cofundador para a companhia, então chamada de Bitbank.

Somado a outros cheques em 2015 e 2018 – que chegaram a US$ 1 milhão adicionais -, o investimento se transformou em US$ 680 milhões na listagem direta feita pela exchange na quarta-feira, nas contas da Forbes.

No YouTube, Tan postou um vídeo em que fala de um retorno de 6.000 vezes para os US$ 300 mil iniciais, atingindo um total de US$ 2 bilhões. Na conta, ele incluiu também o que a Y Combinator colocou na Coinbase. Tan era sócio da aceleradora em 2012 e votou a favor da startup participar do programa no verão daquele ano.

“Eu quero que a Initialized Capital se torne uma referência no mundo de venture capital – um unicórnio por ano e um decacórnio de tempos em tempos. O limitante não são ideias ou bons fundadores. O que limita é, na verdade, bons investidores que não vão ferrar as empresas”, escreveu Tan no LinkedIn.

Uma expectativa ousada, que em tempos de alta liquidez pode até fazer sentido. Mas que é bastante difícil de garantir.

O sucesso retumbante da Coinbase se baseou, em grande parte, em uma conjuntura impossível de ser prevista trazida pela pandemia. Não fosse o atual cenário do mundo, a empresa provavelmente faria alguma movimentação em 2022, ou em anos seguintes – seguindo o prazo de 10 anos de investimento de fundos de venture capital – com um valuation bem mais modesto.

Tem muitas fórmulas, processos, projeções e metodologias que fundadores e fundos podem aplicar para impulsionar o desenvolvimento de uma startup. Mas tem um fator que não dá para controlar: a sorte de estar no lugar certo no momento certo.

O caso da Coinbase é sexy, e vai balizar a avaliação de muitas empresas (Oi MercadoBitcoin!) e as expectativas de investidores. Mas é um caso em milhares – senão milhões.

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