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A história do sistema financeiro brasileiro é marcada pela concentração do mercado em algumas empresas e pela verticalização das operações. Mas nos últimos anos esse cenário vem mudando dando o espaço para o nascimento de novas empresas. Especialmente no mercado de pagamentos, onde o Banco Central teve uma atuação mais forte.

Esse estímulo à competição deu origem à chamada “guerra das maquininhas”, uma disputa entre dezenas de marcas para conquistar a preferência (e o dinheiro) dos varejistas na hora de passar o cartão dos seus clientes. Taxas baixas, maquininha de graça, maquininha alugada, benefícios adicionais e pesadas campanhas de marketing foram alguns dos armamentos usados pelas marcas para ganhar espaço. Mais recentemente, com o ambiente regulatório mais propício e a redução de custos de tecnologia, novos competidores surgiram.

Mas a verdadeira batalha não é essa. A grande guerra é contra o dinheiro em papel. “Dinheiro é um negócio que é ruim para a saúde, é sujo, é caro pra transportar, requer segurança. E o que a gente está vendo é que o brasileiro está mais digital”, avalia Augusto Lins, presidente da Stone Pagamentos. Isso dito pela empresa que talvez tenha mais estimulado e claro, se beneficiado, da tal guerra das maquininhas.

Lins é o convidado de estreia do MVP, o primeiro podcast do Startups. Assim como o próprio Startups é diferente de outros sites de notícias sobre startups e tecnologia por aí, o MVP será um podcast diferente de outros podcasts de negócios. A proposta é falar as verdades sobre o mundo das startups e da inovação com que está começando um negócio, o Minimum Viable Product, e também com quem está nos altos postos do mundo corporativo, o Most Valuable Player.

A 1ª temporada tem apoio da Locaweb. Serão 12 episódios publicados a cada 15 dias.

 

A Stone nasceu em 2012 depois da venda da Braspag para a Cielo. No ano seguinte, Lins foi recrutado da Rede, uma das líderes do mercado, para ajudar a criar um competidor para ela. Com uma estratégia agressiva centrada nos pequenos e médios varejistas – um segmento gigantesco e pouco atendido pelos então líderes – a Stone comeu pelas beiradas e se tornou um gigante: alcançou status de unicórnio, foi para a Nasdaq e hoje vale perto de US$ 20 bilhões.

Segundo Lins, a Stone tem priorizado a oferta de valor agregado ao invés de ficar apenas na oferta de menores taxas de aquisição de maquininha e de transações com cartões. “Queremos ajudar o pequeno e médio empreendedor a vender mais, gerir melhor o seu negócio e crescer”, completa Lins.

Neste sentido, a companhia tem feito uma série de aquisições, adicionando novas ofertas e serviços que vão além dos pagamentos, como gestão de redes sociais e até plano de saúde. A operação de maior vulta foi a compra da Linx por R$ 6 bilhões, que dará à Stone uma posição importante no segmento de sistemas de gestão para o varejo. A operação recebeu sinal verde da área técnica do CADE, mas ainda aguarda avaliação do plenário do órgão, já que os concorrentes questionaram o negócio.

Para Lins, pagamento hoje em dia não é só uma etapa no processo de compra. Virou branding. Ou seja, se a experiência do cliente é ruim, pode afetar a marca de quem vende.

Apesar do baque inicial da pandemia, que fez a Stone cortar 20% de seu quadro de funcionários em maio, a companhia fechou o ano com um lucro de R$ 958 milhões, 12% superior ao registrado em 2019. A receita foi de R$ 3,32 bilhões, 29% a mais que um ano antes. Entre os aprendizados do período, Lins destacou que a companhia fez um corte maior do que o necessário por não saber exatamente o tamanho do buraco que viria como resultado do fechamento do comércio. No fim, a companhia contratou mais gente e terminou com um quadro de funcionários maior do que começou o ano. Lins diz acreditar que 2021 será um ano positivo mesmo com os primeiros meses conturbados.

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