
Fundada em 2007, a XMobots é uma empresa brasileira de robótica que nasceu dentro da universidade e se tornou a maior fornecedora de drones da América Latina. Com sede em São Carlos (SP), a companhia projeta e fabrica 100% das tecnologias que compõem seu portfólio, atendendo setores como segurança e defesa, agricultura e meio ambiente. A trajetória começou de forma modesta: segundo o fundador e CEO, Giovani Amianti, a empresa surgiu com apenas R$ 1 mil e cresceu de maneira totalmente bootstrapped por mais de uma década.
“De 2007 até 2018, a gente não teve nenhum tipo de investimento externo”, conta Giovani. Ele lembra que, ao virar empreendedor, existe um certo romantismo em torno da ideia de criar uma empresa, mas que a realidade se impõe rapidamente. Em vários momentos, admite, pensou em desistir — e só não o fez porque “sofrer as consequências de parar seria pior do que continuar”.
A jornada empreendedora de Giovani começou em um cenário pouco favorável ao ecossistema de startups no Brasil. Naquela época, o mercado de financiamento ainda era incipiente e conceitos como seed money praticamente não existiam. “Eu era um engenheiro aprendendo a ser empreendedor. O que eu tinha era a universidade”, afirma.
Foi justamente na USP que a XMobots deu seus primeiros passos. Giovani percebeu que poderia firmar parcerias com laboratórios e reaproveitar sobras de projetos acadêmicos para desenvolver sua tecnologia. Pela manhã, trabalhava em temas do laboratório; à tarde, dedicava-se aos seus próprios projetos — muitas vezes, com interseções entre os dois mundos. Em 2007, ao identificar que já havia uma estrutura mínima para desenvolver drones, a empresa foi incubada na universidade.
O caminho, no entanto, não foi isento de sacrifícios. Durante o processo de construção da XMobots, Giovani acabou sendo jubilado da USP, um episódio que simboliza os dilemas enfrentados por quem tenta equilibrar carreira acadêmica e empreendedorismo em um ambiente ainda pouco preparado para essa combinação.
Os primeiros produtos da empresa focaram no monitoramento ambiental, preenchendo um gap de mercado pouco explorado à época. “Era um espaço que ninguém tinha interesse em atender”, diz o executivo. Mesmo assim, a estratégia deu resultado: em pouco tempo, a companhia saiu do zero para um faturamento anual entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões.
A virada seguinte veio com o agronegócio. Giovani conta que identificou uma janela de oportunidade em um setor que dependia fortemente de drones importados e enfrentava dificuldades com manutenção. O diferencial da XMobots passou a ser justamente o suporte local. “O grande benefício que trouxemos para os nossos clientes é que, quando o drone dava pane, porque eventualmente vai dar, a gente fazia manutenção rápido”, explica.
A trajetória de Giovani e da XMobots é tema de um bate-papo descontraído no podcast MVP feat. Emerging Giants, que vai ao ar quinzenalmente nas redes do Startups e da KPMG.