Podcast MVP

Longo prazo do venture capital é desafio para as corporações

Momento é de otimismo com o CVC, afirma Richard Zeiger, sócio da MSW Capital, em entrevista ao podcast MVP desta semana

Richard Zeiger, CEO da MSW Capital
Richard Zeiger, CEO da MSW Capital. Foto: Divulgação

O fim da Oxygea, fundo de corporate venture capital (CVC) da Braskem, acendeu um sinal de alerta no mercado para as perspectivas desse tipo de investimento em 2025. Seria esse o início de um movimento por parte das companhias de encerrarem seus aportes em startups? Ou trata-se apenas de um caso pontual?

Para Richard Zeiger, sócio da MSW Capital, não há motivo para pânico. Na verdade, pelo contrário. Em bate-papo com a repórter Stephanie Tondo para o podcast MVP desta semana, ele conta que está otimista e que existe até mesmo a perspectiva do lançamento de novos fundos de CVC este ano.

“O negócio de CVC é de longo prazo. As corporações são curto-prazistas. Não existe essa paciência que o investidor de venture capital tem. A gente acredita que o que ocorreu é uma situação comum nesse mercado. Muitas vezes troca um CEO, por exemplo… Às vezes dá esse conflito mesmo”, disse o investidor.

Uma das expectativas para 2025 é com relação ao fundo de CVC da Petrobras, que foi anunciado em fevereiro de 2024, mas desde então não se teve mais notícia. O veículo destinaria cerca de R$ 100 milhões para startups com foco na transição energética.

Para Richard, o mercado de CVC no Brasil ainda está recente, o que faz com que muitas corporações ainda não tenham completado seu ciclo de investimentos – e, portanto, ainda não tenham visto o retorno financeiro dos seus fundos.

“A gente acredita que para essa indústria amadurecer e crescer, vai precisar que aqueles investimentos que foram feitos em 2016, 2017, voltem para as corporações. O que vai retroalimentar essa indústria é o retorno financeiro. O objetivo inicial é olhar o estratégico, mas o que faz com que o negócio seja perene para a corporação, é o retorno”, avalia.

Especializada em CVC, a MSW atua tanto com fundos de cotista único, quanto multi-corporate, no qual diferentes corporações investem em empresas alinhadas com a tese de investimento de cada uma delas. Para este ano, a gestora planeja lançar um novo fundo, com teses que sejam transversais para diferentes companhias.

A ideia é repetir o sucesso do primeiro fundo da casa, que completou seu ciclo de 10 anos. O segredo, segundo Richard, está na relação próxima com os empreendedores e nos incentivos para que a startup seja administrada de forma sustentável.

Para ele, o mercado está mais difícil para os empreendedores que se acostumaram com a bonança de 2021 e têm dificuldade para ajustar seus negócios à nova realidade.

“No nosso fundo 1 a gente não perdeu nenhuma empresa. Isso no venture capital não é nem normal. Porque a gente falou: olha, não contem com a gente para follow-on. A consequência é que as empresas correram atrás para se tornarem autônomas e não depender da gente. Assim como tiveram empresas que captaram novas rodadas e tiveram saídas. O fundo 1 já devolveu todo o investimento, a gente teve duas saídas de empresas que deram muito certo”, conta o gestor.

Quer saber mais? Confira o episódio completo do podcast MVP desta semana no canal do Startups no YouTube e Spotify.