
Ninguém gosta de perder dinheiro, mas quando se fatura em escala quase industrial, os pesos de decisões erradas parecem menores no balanço. É o que mostram os resultados mais recentes da Meta, que faturou alto em 2025 graças aos seus esforços em IA, mesmo com uma de suas apostas mais ambiciosas — a realidade virtual — acumulando perdas bilionárias.
No ano passado, a Meta alcançou uma receita anual de US$ 201 bilhões, um crescimento de 22% em relação a 2024. O lucro líquido somou US$ 60,5 bilhões no período, número ligeiramente inferior ao do ano anterior, com queda de 3%, mas ainda assim robusto o suficiente para sustentar investimentos de alto risco, na visão da big tech.
Entre outubro e dezembro, a companhia registrou faturamento de US$ 59,9 bilhões, alta de 24% na comparação anual. O lucro operacional do trimestre chegou a US$ 24,7 bilhões.
Por outro lado, o Reality Labs, divisão responsável pelas apostas da empresa de Menlo Park em realidade virtual, aumentada e metaverso – e que nasceu como uma das “queridinhas” da companhia quando ela fez a sua transição de Facebook para Meta, só “sangrou” para os cofres da empresa.
Segundo o relatório financeiro, o Reality Labs acumulou um prejuízo de US$ 19,1 bilhões em 2025, ampliando o rombo registrado em 2024, quando as perdas haviam ficado em torno de US$ 17,7 bilhões. Apenas no quarto trimestre, a divisão queimou US$ 6,2 bilhões, enquanto faturou apenas US$ 955 milhões no quarto trimestre e cerca de US$ 2,2 bilhões ao longo de todo o ano.
Durante a teleconferência de resultados com investidores, Mark Zuckerberg adotou um discurso otimista, ainda que comedido. Segundo o CEO, a Meta está redirecionando a maior parte dos investimentos do Reality Labs para óculos inteligentes e wearables, além de tentar transformar o headset Horizon em um produto de maior escala no mobile. A promessa segue sendo a mesma: tornar a realidade virtual um ecossistema rentável ao longo dos próximos anos.
De acordo com ele, as perdas da divisão em 2026 devem ser muito semelhantes às registradas em 2025. Contudo, para isso, a companhia teve que fazer ajustes drásticos para tornar a operação do Reality mais enxuta. No início deste ano, a empresa demitiu cerca de 10% dos funcionários da unidade, movimento que pode ter afetado até mil pessoas.
Na semana passada, a CNBC revelou que, além dos layoffs, a Meta planeja fechar parte de seus estúdios de realidade virtual. A empresa também anunciou recentemente que vai aposentar o Workrooms, aplicativo independente apresentado como uma solução de reuniões corporativas em ambientes virtuais.