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*De Florianópolis

O mar não anda muito para peixe na economia global – e consequentemente, no mundinho até aqui cor-de-rosa das startups. Mas este pode ser o melhor momento para se começar um novo negócio. “[Com o cenário atual] Você vai criar com mais cuidado, mais atenção aos unit economics. E se beneficiar no longo prazo. Não existem atalhos”, avaliou Florian Hagenbuch, cofundador e copresidente da Loft.

Ele participou hoje pela manhã de um bate-papo com Rodrigo Borges, cofundador da gestora DOMO, no 1º dia do Startup Summit, em Florianópolis. Para ver toda a cobertura do evento feita pelo Startups, clique aqui.

Florian falou sobre a mudança de humor do mercado, com redução no fluxo de investimento para companhias de tecnologia, especialmente as que estão em estágio mais avançado de desenvolvimento, como a própria Loft.

Segundo ele, a proptech – que em 4,5 anos, teve um crescimento que empresas tradicionais levariam 10 ou 15 para alcançar -, foi pensada com um horizonte de desenvolvimento de longo prazo e passou a ser cobrada pelo desempenho no próximo trimestre. “O mercado virou de forma violenta. Quanto mais late stage, maior a pressão por resultado”, contou.  

De acordo com Florian, a Loft fará, em 2022, uma receita entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. Ele não deu mais detalhes sobre a operação da companhia. Rodrigo também não entrou nos meandros.

Em julho a Loft fez um corte de 12% no seu quadro, que na época tinha 3,2 mil pessoas. “A redução do quadro de funcionários se soma a outras medidas de aumento de eficiência tomadas nos últimos meses após 4 anos de crescimento agressivo e consistente, tanto através de produtos desenvolvidos organicamente quanto via aquisições”, disse a companhia em nota na época. O corte se somou a outro, de 159 pessoas, que tinha acontecido em abril.

Na semana passada, a Bloomberg Línea apurou que a Loft estaria estudando uma fusão de sua Nomah com a proptech chilena Casai, que está com dificuldades para captar uma nova rodada de investimento.  

Só mais uma crise

Florian comentou que os investidores americanos da Loft costumam abordá-lo muito preocupados com a atual crise econômica. Ele avaliou que isso se deveria a uma “falta de experiência” desses investidores de passar por crises. “Em 12 anos empreendendo no Brasil acho que eu nunca passei sem uma crise. Só 2012 e 2013 que foram anos top”, pontuou.

Apesar dos excessos cometidos nos últimos tempos no mundo do venture capital e do cenário conturbado, ele disse ter expectativas positivas, uma vez que ainda existem grandes oportunidades e problemas a serem resolvidos na América Latina, e o capital para isso está disponível.

Em sua 2ª empreitada como fundador – depois de um exit com a Printi que lhe rendeu muito mais dinheiro do que o pai conseguiu juntar em em toda a vida – Florian também é investidor em startups por meio da gestora Canary, Ele contou que a casa analisa cerca de 200 empresas por mês, mas acaba fechando só 1 aporte. “Mas daria pra fazer uns 15”, destacou.

Investimentos na pessoa física

Revelando ter um perfil mais conservador na hora de investir, Florian disse que os dois investimentos que faz com seu dinheiro pessoal são em startups e em imóveis. Ele confessou também “brincar um pouco de cripto”.

A concentração em startups e imóveis vem do fato de as duas classes de ativos serem de longo prazo e terem pouca liquidez, o que reduz o impulso de se desfazer de um investimento em momentos de nervosismo como o atual. “Prefiro não ter essa distração”, comentou.  

(O jornalista viajou a convite do Sebrae Santa Catarina)

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