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Fazer um IPO é o grande sonho da maior parte das empresas. Mas o que pouca gente fala é que fazer uma listagem e depois tocar uma empresa pública não é nada trivial.

A vida pós-IPO foi um dos temas abordados no Startups Fever, a conversa conduzida pela jornalista Gabriela Del Carmen contou com a participação de Cynthia Hobbs, diretora financeira do GetNinjas; Andres Mutschler, presidente do varejista Westwing e Marcio Kumruian, fundador da Netshoes, ZiYou e Tunne.

“A tônica de um IPO é preparação, preparação e preparação”, disse Andres. Ele destacou que se preparou para o IPO em si, com o processo de “venda” da companhia para investidores, mas também para o pós-IPO, com questões como criação e relação com comitê de auditoria, conselho fiscal etc.

Olhando para trás, para o IPO feito em fevereiro de 2021, Andres disse que teria se preparado ainda mais para não ficar tão na mão dos bancos de investimento na hora de decidir a alocação das fatias para os investidores interessados na companhia. “Você ouve que pode ser interessante um determinado nome, mas depois isso não é assim”, contou Andres.  

Marcio, que listou a Netshoes na Nasdaq em 2017 e deixou a bolsa 2019 com a venda do negócio para a Magazine Luiza, disse que é importante se preocupar, no pós-IPO, em não se desviar dos fundamentos e da visão do negócio, para não cair na armadilha do curto prazo e da pressão por crescimento. “Quando você se torna público, todo mundo passa a palpitar na sua estratégia. E tem a pressão do crescimento a qualquer custo, o mercado quer isso”, afirmou.

Ele acrescentou que também é preciso tomar cuidado com o preço de tela, ou seja, o valor e a oscilação do preço das ações. “Quem tá dentro da companhia não pode achar que é pior porque o preço de tela tá baixo. Tem que ter essa maturidade porque as tempestades vão acontecer”, disse. Marcio cravou que como empreendedor, não faria nada de diferente do que aconteceu com a Netshoes. “São aprendizados e você leva para as próximas”, disse.

Cynthia também pontuou a questão do preço de tela. “A pessoa em casa vê o preço e acha que a empresa está mal. Elas confundem tudo. É um super desafio explicar. Temos nos preocupado muito em mostrar isso. O mercado inteiro caiu, não fomos só nós. Vamos manter nosso rumo”, reforçou.

Para ela, o mercado está desafiador com o custo de capital muito mais alto, o que tem levado as empresas a serem mais conservadoras com o uso de recursos. “Queremos fazer crescimento sustentável, então um caminho de M&A, não vamos fazer isso agora. Estamos com disciplina financeira muito grande. Mas tem potencial aí, continuamos investindo, mas de forma cautelosa”, disse.   Na avaliação de Cynthia, as coisas vão voltar ao normal. É só uma questão de tempo. Não será 2023. Mas em 2024 tem grandes chances. Depois de um período longo de recessão, os investidores vão buscar. Em 2024 teremos uma outra onda”, disse.

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