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O número de mulheres empreendedoras no mercado de startups ainda é pequeno, mas o cenário está mudando – e a transformação depende de um trabalho conjunto de todo o ecossistema. Foi esse o debate central do painel sobre Empreendedorismo Feminino durante o Startups Fever, evento realizado pelo Startups, Conta Simples e Startse neste sábado (25).

“Começar uma empresa sempre é difícil, mas é mais desafiador ainda para as mulheres”, afirma Camila Lacerda de Almeida, diretora de finanças da healthtech Pipo Saúde. Ela destaca a importância de ter o investimento inicial para estruturar as operações e contratar o time, mas reforça o baixo acesso ao capital disponível para as empreendedoras.

Os números comprovam. Negócios liderados por mulheres receberam apenas 2,2% dos recursos de venture capital globais nos últimos 2 anos, mas entregaram o dobro do retorno, de acordo com o fundo We Ventures, iniciativa da Microsoft para investir em startups de tecnologia e inovação lideradas por mulheres.

Segundo a executiva, um dos maiores sinais de mudança no ecossistema é o surgimento de fundos criados por mulheres, como a MAYA Capital. “Ter mulheres investindo diminuiu os vieses enfrentados durante a captação. Além disso, iniciativas como a Female Force, que oferecem mentorias e conexões são fundamentais”, pontua. 

Falta de inclusão vai além

Maria Musa, diretora de business growth na Endeavor, ressalta que a falta de inclusão não é um problema só do ecossistema empreendedor. “É estrutural, e para mudar qualquer problema desse tipo é preciso criar ações intencionais – o que envolve todo o ecossistema”, afirma. Ela convida fundos de investimento e grandes corporações a colocarem mais mulheres no holofote para realmente dar o pontapé e mudar o cenário de hoje.

Refletindo sobre ações intencionais feitas em sua própria empresa, Tatiana Pimenta, fundadora da Vittude, fala sobre a importância de processos afirmativos. Um deles, abrir vagas só para mulheres em todos os níveis da empresa. “Pode ser que o processo seja mais demorado, mas sendo uma liderança feminina tenho que dar o exemplo”, pontua.

Ela explica o que os homens podem fazer para apoiar o empreendedorismo feminino e fazer o verdadeiro HeForShe “Incentivem as mulheres da sua vida. Isso é algo que tem que começar em casa, com pais falando para as filhas que elas podem fazer o que quiserem. Faz toda a diferença e permite que elas crenças um pouco mais fortes e seguras. Quanto mais mulheres tiverem em posições de poder, mais outras vão se olhar e se reconhecer naquele lugar”, argumenta Tatiana.

Contratar e apoiar mulheres, mas considerar todos os seus recortes e interseccionalidades. “Times homogêos trazem pensamentos iguais e excluem muitas pessoas. Mulheres negras, LGBTQIA+, com deficiência não podem ser deixadas de lado. Incluí-las no ecossistema também é fazer inovação”, conclui Karen Santos, fundadora da edtech UX para Minas Pretas.

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