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A Diversity VC nasceu com a missão de ser uma referência global para as melhores práticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) na indústria de venture capital. Criada na Inglaterra em 2016, a organização já atua na Europa e nos Estados Unidos e agora está lançando oficialmente o seu Capítulo LatAm com iniciativas que geram informações de D&I no mercado e promovem a diversidade em gestoras e fundos de venture capital.

A companhia atua em 3 principais frentes, sendo a primeira delas, os dados. A Diversity VC está criando um relatório sobre diversidade interseccional no ecossistema local de VC e startups, que deve ser lançado nos próximos meses. O estudo levará em conta aspectos como gênero, raça, classe social, PCD, orientação sexual e região dos sócios e profissionais que trabalham nas gestoras. 

“Há alguns relatórios sobre a presença feminina ou de pessoas negras no setor, mas queremos fazer algo com foco na interseccionalidade para entender como os fundos estão representados internamente”, afirma Alied Monica, cofundadora da operação latino-americana da Diversity VC, em entrevista ao Startups.

À frente da Diversity VC LatAm estão Alied, que além de cofundadora do Elas&VC é consultora de investimentos da EDP Ventures e ex-venture capitalist da Vox Capital; e Meghan Stevenson-Krausz, diretora do fundo peruano INCA Ventures e primeira mulher presidente da associação peruana de VC, a PECAP. “Sentíamos falta de um projeto que tratasse a diversidade de forma interseccional, não apenas um recorte. Nosso foco são os fundos de venture capital, pois acreditamos que se eles tiverem times diversos, consequentemente investirão em equipes diversas também”, explica Alied.

Alied Monica e Meghan Stevenson-Krausz
Alied Monica e Meghan Stevenson-Krausz (Foto: Divulgação)

Outros projetos

O segundo pilar da Diversity VC é a capacitação, que acontece por meio do programa Future VC. “Uma das dores do mercado é trazer diversidade de talentos. Hoje, a maioria dos VCs são fundados por homens brancos que frequentaram as mesmas faculdades, fundaram startups no passado e agora têm dinheiro para criar o próprio fundo”, analisa Alied. Ela acrescenta que o mercado costuma ter poucas vagas públicas, com a maioria das posições sendo preenchidas por referências e indicações de redes de contato, o que limita as oportunidades para talentos que estão chegando agora e ainda não possuem experiência.

O Future VC realizará 6 meses de capacitação online de profissionais diversos que querem entrar na indústria. A organização vai oferecer conteúdos e masterclasses que abrangem desde o que é e como funciona o dia a dia de um fundo de venture capital, a questões técnicas, jurídicas e financeiras. A Diversity VC está em busca de fundos locais para fechar parceria para que, em paralelo ao treinamento, os alunos possam fazer um estágio remunerado nas gestoras.

“Ao final do programa, o profissional pode ser efetivado e seguir trabalhando nos fundos, ou pelo menos ganhar a experiência e ter portas abertas no mercado”, explica Alied. A iniciativa já foi implementada pela Diversity VC no exterior e, segundo a executiva, em poucos dias recebeu centenas de inscrições. A expectativa é repetir o sucesso na América Latina, com uma primeira turma a ser lançada no segundo semestre.

Alied explica que, no Brasil, é comum os fundos remunerarem os estagiários, mas que em outros países da região isso não costuma acontecer. A oportunidade de participar de um estágio remunerado na América Latina é um importante diferencial para o profissional, que também receberá acolhimento e acompanhamento da Diversity VC ao longo dos 6 meses.

Por fim, a companhia pretende oferecer o Diversity VC Standard, uma certificação para os fundos com as melhores práticas de diversidade e inclusão. Além do selo, a gestora recebe um feedback da organização sobre o que pode fazer para melhorar ou incorporar novas iniciativas e alcançar suas metas de DEI.

“Além da gestora ser reconhecida por ter boas práticas diversidade e inclusão, o selo permite que ela faça parte da comunidade da Diversity VC, que recebe guias e informações sobre diversidade no ecossistema, e pode se conectar com outros fundos.” A iniciativa já roda na Europa e nos Estados Unidos, e a organização estuda como tropicalizar o projeto para a América Latina, ainda sem uma previsão de lançamento na região.

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